Bem-vindos a Águas Profundas! Uma Introdução à Cidade dos Esplendores

por James Haeck
traduzido e adaptado por Daniel Bartolomei Vieira
artigo originalmente publicado em https://www.dndbeyond.com/posts/243-welcome-to-waterdeep-an-introduction-to-the-city

Não existe amor em AP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
Águas Profundas é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você

Não existe amor em AP
As tavernas estão cheias de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra
Afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver deuses
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens
Em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver deuses

Não Existe Amor em AP, Crio’lo, o Poeta


A aventura de Dungeons & Dragons, Waterdeep Dragon Heist se passa em — onde mais poderia ser? — Águas Profundas, a Cidade dos Esplendores e Joia da Costa da Espada! Esta cidade é metaforicamente construída sobre de milhares de anos de história, e literalmente construída sobre das mega-masmorra milenar de Submontanha. Jogadores e Mestres que estão se preparando para se aventurar em Águas Profundas desde que Dragon Heist foi lançada em 6 de setembro de 2018, vão querer saber um pouco mais sobre a cidade antes de criar seus personagens —especialmente se esses personagens são águaprofundenses nativos.

Primeira lição: uma pessoa que vive em Águas Profundas é chamada de águaprofundense.

Quem é o Responsável por este Lugar?

Depois que alguém sofre uma pancada na cabeça, uma das primeiras perguntas que você pergunta a ela (nos EUA, pelo menos) é “Quem é o Presidente?” (N.T.: aqui no Brasil, claro, costumamos perguntar “Quantos dedos tem aqui na minha mão?”). Se a pessoa não souber dizer, estão ela está com problemas. Todo mundo sabe quem está no comando do país, não importa o quanto se importam com a política. Para o povo de Águas Profundas, todos sabem quem é o Lorde Declarado. O Lorde Declarado governa não apenas a cidade de Águas Profundas, mas toda a Aliança dos Lordes, um tratado político entre os nobres da Costa da Espada e seus apoiadores, e uma das cinco principais facções que disputam pelo controle cultural de Faerûn.

O Lorde Declarado é uma mulher chamada Lareral Mão-Argêntea, uma personagem de destaque em Forgotten Realms, os Reinos Esquecidos. Ela é uma das famosas Sete Irmãs e uma Escolhida de Mystra, a deusa da magia. Ela ascendeu ao poder no meio (!) da aventura The Rise of Tiamat (A Ascensão de Tiamat), destituindo o antigo Lorde Declarado, Dagult Brasa-Remota. Os detalhes exatos de sua queda do poder estão envoltos em mistério, mas a Senhora Mão-Argêntea é uma governante sábia, confiante e respeitada — enquanto o Lorde Brasa-Remota (agora governante da cidade reconstruída de Inverno Remoto) é mais conhecido como um mesquinho, um homem egoísta. O conhecimento tático e político que ela tem foi vital para reunir o ressentido Conselho de Águas Profundas e ajudar a derrotar Tiamat e o Culto do Dragão.   

Mão-Argêntea é conhecida como o Lorde Declarado porque Águas Profundas também é governado por um conselho de Lordes Secretos. Estes enigmáticos conselheiros são selecionados entre a nobreza de Águas Profundas, mas mantêm as identidades em segredo, mesmo entre eles. Um dos poucos Lordes Secretos conhecidos de Águas Profundas é Ominifus Herevard Dran, mais conhecido como Omin Dran, o Chefe Executivo Oficial da Aquisições Incorporadas.

A Vida Cotidiana na Cidade dos Esplendores

Águas Profundas é, talvez, a cidade mais avançada da Costa da Espada. Mike Mearls já descreveu a Cidade dos Esplendores como “o centro da cultura, das artes, do aprendizado. […] Em D&D [aventureiros estão frequentemente] fora da periferia do reino. Lá, você tem uma tecnologia muito utilitária e primitiva. Mas à medida que você se aproxima cada vez mais do núcleo, de uma cidade como Águas Profundas, você fica cada vez mais civilizado, e surgem mais e mais itens avançados do dia-a-dia. Há uma ideia de que em Águas Profundas você pode pegar um táxi e coisas assim. Quase parece que se as fronteiras dos reinos civilizados da Costa da Espada são a idade das trevas, uma fronteira selvagem e bárbara, e Águas Profundas é quase como uma Londres do século XIX.” Chris Perkins também observou que Águas Profundas” é uma cidade na vanguarda. É uma espécie de local entre uma cidade medieval e uma cidade [da era] Vitoriana. Há muita magia.”

Desnecessário dizer que os padrões de vida para a maioria das pessoas em Águas Profundas são melhores do que aquelas, por exemplo, que vivem no Vale Dessarin, como visto em Princes of the Apocalypse (Príncipes do Apocalipse). Das terras que vimos até agora na quinta edição de Dungeons & Dragons, só a capital de Chult, Porto Nyanzaru, pode se comparar em magnificência. No entanto, como em todos os lugares de grande riqueza, há aqueles que a possuem, e aqueles que não a possuem. A classe alta da cidade — composta por mercadores, pequenos burgueses e aventureiros de sucesso — vive em conforto no Distrito Norte e no Distrito do Castelo, desfrutando dos luxos da boa comida, de camas confortáveis e da proteção de uma sempre atenta Guarda da Cidade. Aqueles poucos que são ainda mais ricos do que eles, vivem no colo do luxo, dentro do Distrito do Mar, uma comunidade opulenta nas altas falésias do norte de Águas Profundas, com vista para as águas brilhantes do Mar das Espadas.

Personagens com o antecedente artesão de guilda ou nobre (ou o antecedente nobre águaprofundense do Sword Coast Adventurer’s Guide (Guia do Aventureiro para Costa da Espada)) podem vir de famílias destes bairros ricos, e personagens com o antecedente gladiador pode ter tido contato com a riqueza, graças às visitas aos Campos do Triunfo, o grande Coliseu dentro do Distrito do Mar. Acólitos, charlatães, cortesãos, artistas, cavaleiros e sábios também podem ser encontrados nestes bairros, embora poucos tenham a sorte de chamá-lo de lar.

Muito abaixo desses penhascos, no entanto, vivem os miseráveis de Águas Profundas. Pressionado entre os penhascos e o oceano fica a o esquálido Distrito das Docas e o mal incorporado distrito do Porto de Pronfundágua. Aqui, patifes, piratas e ladrões misturam-se com os pobres e com os sem-teto da cidade. Forças criminosas como o Zhentarim e a infame Guilda de Xanathar aproveitam-se destas pessoas oprimidas. Logo acima do Distrito das Docas fica o lar da classe média de Águas Profundas: o Distrito do Comércio e o Distrito Sul, o centro do comércio e da vida “suburbana” na Cidade dos Esplendores.

Personagens com os antecedentes como criminoso, marinheiro, soldado, caçador de recompensas urbano ou criança de rua provavelmente conhecem um desses distritos muito bem. E personagens com antecedentes mais abastados podem encontrar-se vivendo nestas condições miseráveis se as fortunas deles tiverem sofrido uma reviravolta súbita para pior. D&D é cheio histórias de “de trapos para ricos”, mas inverter isso em um antecedente “de ricos para trapos” pode ser o início de um arco de personagem atraente e que causa simpatia.

Perigos da Cidade Grande

Águas Profundas pode ser a joia da Costa da Espada, mas isso não significa que os aventureiros lá estarão apenas bebendo e festejando no Portal Bocejante o dia todo. Existem leis contra começar brigas (ou, Lathander proíbe, cometer assassinato) nas ruas. Mas Dragon Heist é, bem, um assalto! Eu não posso compartilhar spoilers sobre o que está dentro deste livro, mas pode-se imaginar o tipo de aventuras em que personagens podem se envolver durante um assalto. Pense em 11 Homens e um Segredo(ou o vindouro 8 Mulheres e um Segredo), a série Acerto de Contas ou os cenários do sistema de RPG de fantasia e assaltos Dusk City Outlaws. Personagens que procuram problemas e aventuras em Águas Profundas só precisam criar um disfarce, assumir um nome falso e esgueirar-se em um baile de máscaras dos Lordes Secretos.

Ou, os aventureiros podem mergulhar nos infames esgotos de Águas Profundas e procurar perigos mais sinistros e mortais. Nas profundezas da cidade há dois reinos de medo e perigo. Descer pela entrada das masmorras no meio da sala comunal do Portal Bocejante colocará os aventureiros na maior masmorra de toda a Faerûn: Submontanha. Cheia de monstros, espíritos inquietos e esquisitices extraplanares, a Submontanha é um reino onde poucos entram, e ainda menos saem. A Submontanha existe há séculos, depois de ser criada como o covil para Halaster Manto Negro, um dos mais poderosos conjuradores de todos os tempos. Halaster foi derrotado há muito tempo, e a Submontanha caiu em ruína e passou a ser uma lenda.

A cidade de Águas Profundas foi construída no topo das ruínas da Submontanha, e o Portal Bocejante foi construído sobre a única entrada restante que se tinha conhecimento. Durnan, o estalajadeiro do Portal, é um antigo aventureiro de grande poder e renome, e tem mantido por muitos anos vigília sobre este lugar sinistro. Ele não tem escrúpulos em permitir que tolos se aventurem nas profundezas da masmorra escura, mas também não tem misericórdia para com os monstros que emergem da masmorra e saltam para dentro da taverna.

Dentro da Submontanha, no terceiro nível coberto pela escuridão, fica cidade secreta de Porto do Crânio. Como um mago muito sábio disse certa vez, “…nunca encontrarás um antro mais miserável de escória e vilania.” Cheia dos piores elementos da humanidade e assediada por drow, illithids e todos os tipos de personagens sinistros, Porto do Crânio é um lugar onde apenas mentirosos sobrevivem. Diz-se que os agentes assassinos da Guilda de Xanathar escondem-se em Porto do Crânio, mas ninguém sabe de verdade a natureza desta enigmática guilda de ladrões. Qualquer um que deseje procurar os maiores criminosos de Águas Profundas faria bem em enfrentar a escuridão sob a cidade.

Leituras Adicionais Sobre Águas Profundas

Mais páginas foram escritas sobre a Cidade dos Esplendores, Submontanha e o reino sem luz de Porto do Crânio, do que qualquer artigo poderia resumir. Embora muito tenha mudado no cenário de Forgotten Realms nos últimos cem anos, há livros de edições mais antigas de Dungeons & Dragons que descrevem esses locais de aventura com grande detalhe. Até o lançamento de Waterdeep: Dragon Heist em setembro de 2018, você poderia aprender uma coisa ou outra sobre esta magnífica cidade em PDFs oficiais na Dungeon Master’s Guild.

O melhor recurso para Águas Profundas é o livro clássico da segunda edição de AD&D Volo’s Guide to Waterdeep. A Submontanha, no entanto, é muito grande para uma única aventura ou masmorra para ser explicada. Há dezenas de aventuras detalhando os corredores intermináveis desta masmorra gigantesca. Por fim, as ruas sujas de Porto do Crânio são minuciosamente detalhadas em Skullport, um suplemento para a segunda edição de AD&D. Mas eu lhes aviso que Porto do Crânio sofreu imensas mudanças no século que se passou. A Praga Mágica e a Segunda Separação devastaram Porto do Crânio, deixando-o tudo, exceto desprovido de vida civilizada.

Até o lançamento de Waterdeep: Dragon Heist, não havia como saber o que é “cânone” ou não nesta grande cidade, exceto pela pouca informação que é explicada no Sword Coast Adventurer’s Guide (Guia do Aventureiro para a Costa da Espada). Enquanto isso, deixe a sua imaginação fluir à vontade! Crie uma Águas Profundas toda sua, ou invente uma próspera metrópole de fantasia para seu próprio cenário de campanha.

O que você quer saber sobre Águas Profundas? Quais perguntas sobre esta grande cidade você espera ver respondidas em Waterdeep: Dragon Heist?


James Haeck é o principal autor para os artigos do D&D Beyond, o co-autor de Waterdeep: Dragon Heist e do Cenário de Campanha de Tal’Dorei da Critical Role, e também um escritor terceirizado para a Wizards of the Coast, da D&D Adventurers League e da Kobold Press. Ele vive em Seattle, Washington, com sua parceira Hannah e suas amadas felinas ladinas, Mei e Marzipan. Você normalmente pode encontrá-lo perdendo tempo no Twitter em @jamesjhaeck.

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2 Resultados

  1. Jose Antunes Rocha e Silva do Nascimento disse:

    Dan, só pra arredondar este ótimo artigo, como ficou a tradução da “Dragon Heist”?

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