Aventureiros dos Reinos na CCXP 2019 – Entrevista com a Galápagos

2019 – O Aventureiros dos Reinos entrevista Ademir Ferrari, da Galápagos, sobre os próximos passos do D&D no Brasil

Os Aventureiros dos Reinos, representado por Ricardo Costa, estão na CCXP 2019 e aproveitamos para entrevistar Ademir Ferrari, Gerente de Marketing da Galápagos Jogos, que nos contou um pouco sobre as perspectivas para o lançamento dos novos livros, do reprint do Players Handbook: Livro do Jogador e de ações futuras envolvendo o Dungeons and Dragons. Confiram!

Aventureiros: Estamos aqui na CCXP, no estande da Galápagos, para obter algumas informações sobre o D&D, que finalmente está sendo trazido em português para o público brasileiro. Estou aqui com Ademir Ferrari, Gerente de Marketing da Galápagos, e vamos fazer algumas perguntas. Ademir, o Players Handbook: Livro do Jogador veio finalmente para o Brasil depois de tantas idas e vindas no mercado de RPG, um produto que possuía uma demanda reprimida bastante grande e com ele, finalmente, foi dado o pontapé inicial pela Galápagos no D&D. Queremos saber se você vê o lançamento do Players Handbook: Livro do Jogador como um sucesso, já que esgotaram-se rapidamente os exemplares disponíveis. Qual a receptividade que vocês tiveram do público?

Ademir: A recepção do Players Handbook: Livro do Jogador foi muito maior do que imaginávamos. O maior desafio foi, principalmente por ser o primeiro (livro), prevers o tamanho da demanda. Todo mundo fica empolgado com essa chegada e isso acontece com qualquer produto de tamanha importância. Mas, saber exatamente o volume disso é uma medida muito difícil e, foi exatamente por isso que se esgotou tão rápido. Fizemos uma tiragem muito maior do que faríamos de um livro deste tipo e mesmo assim não deu nem para ‘respirar’. Em uma semana, já havia esgotado. Agora a previsão da chegada do reprint está para o comecinho do próximo ano (2020). Cremos que dará para amenizar a situação do estoque e deixar todo mundo tranquilo. Serve também de aprendizagem para tudo o que estamos planejando para 2020 ser mais tranquilo. O Players Handbook: Livro do Jogador é a base para a maioria das pessoas, e chegando agora o Monster Manual: Livro dos Monstros e Dungeon Master’s Guide: Livro do Mestre, começa-se uma sequência de lançamentos e as pessoas irão comprar mais pontualmente. Esse hype do começo foi o mais impactante.

Aventureiros: Ainda em relação ao Players Handbook: Livro do Jogador, uma nova tiragem está para vir. Ela virá com as erratas, correto?

Ademir: Sim. A ideia é que toda a tiragem de reprint que faremos, terá todas as erratas que foram organizadas até um certo momento. Como errata é uma coisa tão normal em todos os lançamentos de livros, não se trata de uma nova versão, apenas uma versão revisada que contém erratas. Inclusive, nós as publicamos há pouco tempo para que o público tenha acesso (a errata do Players Handbook: Livro do Jogador pode ser encontrada aqui https://asmodee.galapagosjogos.com.br/rd-players-handbook-erratas).

Aventureiros: E esse reprint que sairá no início do ano? Há alguma previsão aproximada?

Ademir: Como dependemos muito do processo de importação, e estamos em final de ano, tudo acaba tumultuado. É um pouco mais difícil cravar uma data, mas tanto o Monster Manual: Livro dos Monstros quanto o reprint do Players Handbook: Livro do Jogador virão juntos. Eu calculo do meio de janeiro para o início de fevereiro seria o período mais correto de estimar a chegada, tanto para podermos lançar o Monster Manual: Livro dos Monstros quanto o reprint. Isso envolve a parte burocrática, logística, entrada em estoque, Nossa ideia é, inclusive, com a vinda do reprint e do Monster Manual: Livro dos Monstros, do Dungeon Master’s Guide: Livro do Mestre, da Maldição de Strahd, o Escudo do Mestre e toda essa primeira leva, também colocarmos os produtos no mercado em sequência, de forma espaçada, para que as vendas sejam tranquilas.

Aventureiros: O cronograma de lançamento anunciado por vocês não pôde ser cumprido. Vocês pretendem lançar um novo cronograma mais adiante, quando a situação dos processos de confecção dos livros estiver melhor definida?

Ademir: Sim, sim.  Quando fizemos o primeiro cronograma, que previa uma sequência-base: o Players Handbook: Livro do Jogador, o Monster Manual: Livro dos Monstros, o Dungeon Master’s Guide: Livro do Mestre, esquecendo um pouco os suplementos e aventuras, tendo esses três livros como referência, tínhamos uma margem boa de tempo. mas por se tratar de um tipo diferente de produto e por ser um novo ramo dentro da Galápagos, aconteceram imprevistos. Há uma série de etapas a serem cumpridas: tradução, revisão, diagramação, aprovação, impressão, importação. Possivelmente essa primeira etapa será concluída no primeiro trimestre de 2020, mas só iremos cravar uma data mesmo quando a chegada estiver certa e definida. Sabemos que esse lançamento deixou o público bastante ansioso, com grandes expectativas, mas esse é um início de trabalho. Logo vem o reprint do Players Handbook: Livro do Jogador. Erros foram levantados, a errata foi feita e enviamos o material para reimprimir. Fizemos isso o mais rápido possível e a agilidade desse processo vai melhorar cada vez mais. Quando o material estiver em nossos estoques, pretendemos entrar em contato com os revendedores já com o cronograma bem definido: Este mês você irá vender o livro ‘tal’, que vai chegar tantos dias antes e assim por diante. Os lançamentos anunciados no MIS estão mantidos e conforme o processo estiver adiantado, anunciaremos o novo cronograma. Existem lançamentos que demandam menos localização, estes virão mais rápido, porém eles têm que ser coerentes com a sequência de lançamentos.

Aventureiros : Gostaríamos que você falasse um pouco sobre a Adventurers League. O que vocês projetam para ela?

Ademir: Não temos muito a falar sobre a Adventurers League. Conversamos bastante internamente e queremos que fosse feita de uma forma coerente, não simplesmente jogá-la para o público com o que está acontecendo lá fora. A ideia foi sempre fazer os três livros base, ter um cronograma de 2020 bem apurado e pensar na Adventurers League quando tivermos mais a oferecer para ela, ter mais produtos, oferecer uma melhor orientação para o jogador e um suporte para os mestres. Sabemos que o pessoal pergunta muito “quando vai ter?”, mas é importante a gente criar uma base bem sólida de D&D no Brasil  para depois iniciar coisas mais avançadas , como a Adventurers League. Uma outra coisa que queremos é aproveitar esse momento de empolgação com o RPG e trazer novos jogadores para o D&D, e isso, inclusive, foi uma preocupação da localização, trazer termos fáceis de entender, para uma pessoa que  nunca jogou ou que faz mais de 10 anos que não joga, pegar os livros e não ter dificuldade para entender as regras. Quando entrarmos com a Adventurers League, queremos também trazer os iniciantes para o jogo, não só aquele jogador veterano, que já sabe como funciona. Queremos ofertar no momento certo. Não é nem uma questão de tempo, é uma questão da base estar engrenada para colocarmos isso pra valer.

Aventureiros: Ainda sobre a Adventurers League, eu sei que você não pode nos dar muitas informações, mas há a intenção de traduzir as temporadas anteriores, ou pretendem continuar apenas de um ponto pra frente?

Ademir: Pretendemos sempre trabalhar em duas frentes: uma frente “daqui pra frente” com os livros recém lançados no exterior, como é o caso de Eberron: Rising from the Last War, e que será lançado pela Galápagos em 2020 e outra que cuidará do material já lançado há algum tempo, como é o caso de a Maldição de Strahd. Não lançaremos primeiro o material mais antigo e seguir a mesma sequência de lançamentos, até chegarmos ao material mais recente. Iremos mesclar lançamentos. A Adventurers League seguirá algo parecido, dando prioridade e espaço para coisas que ampliem a integração do jogador ao mundo do D&D.

Aventureiros: Quando entramos no site da Wizards of the Coast, vemos que existem materiais disponibilizados gratuitamente para jogadores e mestres como, por exemplo, capítulos de alguns lançamentos, planilhas, kits de fãs etc. Vocês pretendem trazer essa mesma abordagem, esse contato com o público através de um site mais voltado para o jogador de D&D?

Ademir: A ideia é que se tenha um canal mais voltado para o jogador sim. Ainda não será no começo de 2020, até porque há alguns materiais que poderíamos disponibilizar, mas existem outros que não estão certos. A ideia é sim ter algo especial voltado para o D&D, mas ao mesmo tempo é muito importante que iniciativas de conteúdo que não são da Galápagos, que venham da comunidade, apareçam.  Isso enriquece o mercado. Claro que existem os materiais oficiais, mas penso que a maior riqueza de se ter uma referência é a discussão, a participação da comunidade. E isto é difícil de administrar e garantir que tudo seja bem feito. Trata-se de um projeto muito ambicioso para ser administrado de imediato, mas estamos olhando com carinho para isso sim, até porque nossa ideia é, inclusive, a de aproveitar o fato de que o D&D abre uma porta gigantesca e quem aproveita essa carona pode entrar com muitas coisas em paralelo deste universo expandido. Vamos deixar o produto e a comunidade florescer para depois organizar isso melhor de alguma forma, e não fazer o contrário. Não é ideal gastar essa energia tentando fazer um portal, por exemplo, sendo que ainda há muita coisa a ser feita para estimular o funcionamento do produto muito antes de criar algo deste tamanho. Isso porque já existem comunidades, jogadores que já fazem isso muito bem há algum tempo.

Aventureiros: Nós, do Aventureiros dos Reinos, somos mestres e jogadores há muito tempo. Eu por exemplo, Ricardo, faço parte do Aventureiros, mas já crio conteúdo desde a época dos Os Últimos Dias de Glória (http://www.aventureirosdosreinos.com/udg/) , site sobre Forgotten Realms que eu e um amigo fizemos em meados de 2000. Desde então, nós já passamos por muita coisa dentro do RPG e um grande desejo que temos é termos uma editora que proporcionasse e tivesse este cuidado especial com a comunidade. Muitas vezes os produtos são vendidos em uma relação exclusivamente de consumo.

Não há um suporte para o mestre, ou outras informações, ou materiais de outras versões que conseguíamos no próprio site da Wizards (existe até hoje, http://archive.wizards.com/default.asp?x=dnd/arch/dnd). O que desejamos é que, claro, a Galápagos tenha todo o sucesso na empreitada do D&D. Isto é algo que a comunidade ansiava demais. Nos colocamos à disposição para auxiliar enquanto blog de RPG, e desejamos que outras pessoas da comunidade sejam envolvidas e isso não fique apenas numa relação de consumo.

Por fim, gostaríamos de agradecer muito a você por esta entrevista, que iremos publicar no blog, e desejar mesmo muita sorte! A sorte de Tymora!

Ademir: Obrigado! Talvez você observe isso em outras iniciativas da Galápagos e até mesmo em jogos como Keyforge, entre outras coisas, que nós estamos reescrevendo o jeito de trabalhar a comunidade. A relação de consumo é muito dinâmica quando se fala de boardgames, que são produtos os quais as pessoas gostam e esperam muito, às vezes. No momento em que está para chegar (o jogo), o comprador já está até com o dinheiro reservado há um ano para comprar. Não é preciso trabalhar conteúdo, trabalhar a comunidade, porque ela só quer acesso. Claro que ele irá querer expansão, e outras coisas mas, essencialmente o que ela quer é poder comprar.

No caso de um jogo competitivo, de torneio ou de um RPG, o acesso é um primeiro passo. O jogador quer ter acesso, mas quer conteúdo próprio, ter estímulo a quem cria conteúdo na comunidade, quer que os influenciadores discutam com os fãs, que são os clientes.

É complexo no bom sentido, pois exige mais gente trabalhando em volta. Não é apenas a loja, ou veículo de informação, não é só a comunidade, e não é a Galápagos sozinha. É algo mais complexo, é mais difícil, mas o resultado a longo prazo é incrível. Podemos falar de um 2020 que vai servir de base para o que acontecerá no RPG nos próximos 10 anos no Brasil, algo que até então estava dentro da masmorra e agora se libertou, está à solta.

Vemos hoje pessoas famosas falando que jogam D&D como se fosse um videogame. É uma coisa que o Pérsio fala: o D&D tá na crista da onda. Temos que aproveitar isso porque se pensarmos bem, o D&D é um produto até mais acessível que qualquer outro produto que a própria Galápagos vende. Com três livros, um grupo de cinco pessoas se diverte durante anos! Pensando no nível de poder aquisitivo do brasileiro mesmo, com o RPG podemos ter comunidades das mais pobres às mais ricas jogando por anos e anos, estimulando a criatividade, trabalhos em grupo, socialização, etc.

Vender assim parece simples, mas isso é o resultado, como já falado, de loja, de comunidade de veículos de informação falando sobre e indo além de simplesmente dizer “os livros estão lá, compre, parcele, que está tudo bem.” Essa nova abordagem é mais trabalhosa.

Imagino que existam muitos projetos sociais que exigem um esforço de um professor que leve à comunidade dele um RPG ou um jogo de tabuleiro e que deixem as crianças maravilhadas. Acredito que nos próximos anos (o RPG) será muito usado nas escolas em um contexto educativo e social, que irá sair da “loja”, da relação de consumo.

É um produto, sim. Ele vai ser consumido, mas ele tem um valor agregado cultural, educacional, de sociabilidade. Este valor do RPG, se abrirmos um pouco a cabeça pararmos de pensar nele só como um entretenimento, pode nos levar á uma evolução absurda.


Agora temos material de D&D em português. Não perca a chance e adquira seus livros do jogo de RPG mais popular do mundo!

Você pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: