Capítulo 7 – O Pequeno Kelta

Por Ricardo Costa
Imagem de Destaque, artista desconhecido

O grupo de aventureiros deixou a decadente estalagem A Face do Velho e, após uma rápida passagem aos estábulos, onde retomaram os seus cavalos que lá estavam abrigados, prosseguiram em um trote acelerado pelo centro da pequena e sinistra cidade de madeira, que ainda padecia sob a chuva e os relâmpagos. Foram se afastando daquela área urbana, tomando um caminho que rumava para uma região erma, mais irregular e montanhosa, de raras e esparsas árvores. Em um determinado momento, Verner refreou o corcel negro que montava, indicando o momento onde os destinos dos aventureiros iriam se dividir. O ferreiro indicou à Kariel, Arthos e Limiekki a trilha que levaria à fortaleza Zhentarim. Era uma estrada aberta no meio de um terreno pedregoso, pavimentada com seixos esparsos e desgastados, larga o suficiente para a passagem de uma carroça.

– Sigam cavalgando nessa direção e irão encontrar a fortaleza em uma pequena colina, logo após aquele arvoredo. – apontou com o dedo em riste o jovem, falando alto para suplantar o barulho da tempestade – Terão que ser discretos para não serem vistos. A área em torno da construção é descampada e não há muitos abrigos à disposição. Desejo-lhes boa sorte.

– Obrigado, mas com o encanto que Mikhail nos ofertou acredito que não será preciso cavalgar, nem será tão necessário se esconder. – Kariel pontuou. – Que Tymora os acompanhe, amigos!

Kariel, Arthos e Limiekki desmontaram e concentraram-se e, em um instante, o encanto começou a agir. Seus corpos começaram a ficar translúcidos e brancos, e suas formas assumiram o aspecto de uma névoa clara. Em seguida, começaram a flutuar e aos poucos desapareceram das vistas de seus companheiros, deixando um impressionado ferreiro, que ainda ficou a fitar o alto, procurando pelos últimos vestígios dos aventureiros no céu, quando fora puxado por Bingo para prosseguir o caminho rumo a mansão de Kyrius.

Agora, no alto de dezenas de metros de altura, o trio examinava a fortaleza inimiga. Era uma construção protegida por uma muralha quadrangular de pedra, com uma guarita em cada um de seus vértices e um grande portão de ferro. No alto dos muros, entre as ameias, não avistaram nenhum guarda em vigília, porém algumas luzes escapavam de seteiras nas guaritas próximas ao portão, indicando a presença de alguma alma viva dentro do lugar.

– Estão escondidos! Não devem esperar nenhuma ameaça que justifique estar tomando toda essa chuva. – disse Arthos, que flutuava próximo de seus amigos.

– Tentaremos ser furtivos enquanto pudermos! Vamos nos separar e procurar o Pequeno Kelta e seus companheiros. Quando acharmos, teleportarei todos daqui para a estalagem. Se Tymora nos favorecer, e nossos companheiros tiverem êxito, sairemos todos daqui pela madrugada, antes dos guardas darem falta dos prisioneiros. Vamos descer! – comandou Kariel.  

Após as palavras do arcano elfo, os três companheiros flutuaram em direções distintas e começaram a descer, rumo ao interior do fortim.

***

Kariel pousou bem ao centro do pátio interno e parou próximo a um poço circular de pedra que abastecia a fortificação. Em uma observação detalhada, seus olhos élficos puderam verificar a existência de um estábulo e de vários cômodos, encerrados por portas de ferro, que foram construídos em torno do perímetro interno dos muros. Haviam lanternas esparsas penduradas nas paredes, que concediam uma iluminação deficiente, mas suficiente para que o mago pudesse divisar um detalhe que lhe chamou a atenção: localizou três portas reforçadas, com portinholas gradeadas, o que o levou a acreditar que poderiam se tratar de celas. Pensou que talvez nelas estivessem os rebeldes a quem vieram resgatar. Então, após se assegurar que não havia ninguém a observar, atravessou flutuando a área de terra e aproximou-se da primeira delas.

Tentou escutar através desta porta, mas nada ouviu. Decidiu investigar a segunda, da mesma maneira. Desta vez, escutou uma fraca tosse. Como estava na forma de névoa, concentrou-se e, aos poucos, conseguiu passar por baixo da fresta formada entre a folha de ferro e o chão, indo se recompor novamente dentro do cubículo.

Estava escuro. O cheiro era o da palha molhada que recobria o chão, e de urina. Kariel não podia conjurar naquela forma, nem mesmo uma simples magia de luz. O prisioneiro, que era nada mais que uma silhueta escura encolhida no canto do cômodo vazio de qualquer móvel, não o percebeu, até que o mago sussurrou.

– Não se assuste. Sou um mago e vou libertá-lo. Procuro um aliado chamado Kelta Rahl!

– Tymora…estou alucinando!  – respondeu uma voz rouca e aquebrantada de homem.

– Não é uma alucinação! – continuou Kariel – Conhece Kelta e seus companheiros? Sabe para onde ele foi levado?

– S-sim… sou do grupo dele… meu nome é Valos. Os outros foram levados daqui. Eu e Kelta ficamos. Iam interrogá-lo… espero que ele esteja vivo…

– Vou procurá-lo. Prometo retornar para retirá-lo daqui ainda esta noite! – disse Kariel, renovando as esperanças do prisioneiro.

– Que Tymora o ajude! – desejou Valos, para depois começar a tossir repetidamente.

Kariel então deixou o insalubre cômodo e seu prisioneiro solitário e partiu para o seguinte. Uma luz que deixava as fendas do próximo portão e ruídos de vozes denunciavam que a terceira cela era mais promissora, mas precisava investigar melhor o que encontraria lá dentro, antes de entrar. Decidiu concentrar-se e ouvir um pouco mais aqueles ruídos mas, repentinos como os clarões dos relâmpagos que iluminavam os céus, tudo mudou. Ouviu um sino tocar nervosamente e, pouco depois, surgirem labaredas de fogo no lado oposto da fortaleza quadrangular. A porta que espionava então abriu em um rompante e dela saíram apressados dois soldados com espadas nas mãos, que correram em direção ao pátio central, rápidos demais para notá-lo. Porém, agora, a cela estava já aberta.

***

Arthos desceu no passadiço no alto da muralha, entre as ameias da fortaleza. O lugar, naquele momento de tempestade, estava vazio de sentinelas. O espadachim ruivo percorreu cuidadosamente o corredor de pedra em direção à uma das guaritas frontais, na intenção de tomar de surpresa o vigilante. Talvez conseguisse ser furtivo o suficiente para eliminá-lo sem o alarde do combate. A porta que levava das ameias à guarita que ficava à direita do portão principal estava fechada. Arthos agora estava diante dela, mas não podia abri-la sob o efeito do encanto de Mikhail, intangível que estava, e decidiu se concentrar no cancelamento do efeito. Se materializaria em poucos minutos. No entanto, antes que as areias do tempo caíssem na ampulheta dos deuses, para seu azar, viu a porta subitamente abrir-se em sua frente e dela sair um soldado loiro em cota de malha, que, ao vê-lo, arregalou os olhos, sacou a espada e exclamou!

– Que Bane[1] me fortaleça! Quem… o que… é você? – perguntou, apontando a arma, que atravessou o corpo imaterial de Arthos.

– Sou um fantasma de um daqueles que vocês assassinaram pelos Reinos! Vim me vingar esta noite e levar sua alma para o mundo dos mortos! – Improvisou Arthos uma voz fantasmagórica, enquanto dava um passo para trás, saindo do alcance da espada curta do soldado.

O homem abaixou a espada, hesitou e deu um passo também para trás, motivado por medo. Porém, rapidamente encontrou uma força dentro de si, uma memória que o fez respirar fundo e voltou com a espada em riste.

– Pode ser um fantasma… mas pode ser também um mago e suas artes! Já ouvi falar sobre isto! Vou avisar ao resto da guarda.

O homem apressou-se em virar-se e correr de volta. Foi o momento em que o corpo de Arthos começou a se solidificar. Arthos sacou seu sabre e partiu atrás do soldado, em tempo de impedir que ele fechasse a porta da guarita. Iniciou-se um combate e as lâminas começaram a se chocar, em golpes rápidos e fortes. Arthos era claramente superior e decidiu por uma manobra: em um rápido movimento, aproveitou uma oportunidade e conseguiu colocar a ponta fina e levemente curva de seu sabre abaixo da guarda-mão da espada do oponente e, com um forte e rápido puxão para o alto, fez a lâmina do adversário cair. Rapidamente, sua arma estava apontada para o Zhentarim, exigindo a sua rendição.

– Desista e pouparei sua vida!

O homem ergueu as mãos, olhou para Arthos firmemente, e, repentinamente, fez um rápido movimento em direção a uma parede próxima, no interior da guarita. Arthos não havia visto, mas uma corda jazia pendurada no lugar. O espadachim, em reação, atravessou o corpo do soldado com a sua lâmina, mas antes que ele caísse, houve tempo suficiente para que o inimigo desse três rápidos puxões. Era um sino de alarme!

***

Limiekki aterrissou suavemente no pátio de terra, na direção oposta do portão principal da fortaleza. Perto de onde estava, havia uma construção maior, um anexo caiado, de dois pavimentos, com janelas ao alto e um portão de madeira reforçado com ferro. Ficava ao lado de um estábulo onde seis cavalos abrigavam-se da chuva e onde fardos de feno e palha estavam depositados. O mateiro zenthilar decidiu investigar a edificação. Lembrou-se do que Mikhail havia falado e concentrou-se para moldar sua forma gasosa e penetrar pelas frestas entre a parede e a porta.

Pouco a pouco, então, foi passando pela passagem estreita e seu corpo foi se reconstituindo do outro lado. Um lampião solitário, posto sobre uma mesa de madeira, descortinava as sombras da noite e da tempestade e revelava um cômodo grande, onde haviam três beliches, ocupados com homens que dormiam profundamente, e uma escada de madeira, que subia ao pavimento superior. Haviam armas penduradas em ganchos postos em uma parede e, próximo a luz, um molho de chaves longas, presas em um elo grosso de metal. Limiekki sorriu e silenciosamente começou a desativar o encanto que agia sobre si. Em pouco tempo, materializou-se. Andou agora devagar e furtivo e começou a tomar as espadas das bainhas penduradas. Olhava frequentemente para os soldados dormindo e agradecia a Miellikki que o ruído da chuva e eventuais trovões disfarçavam os pequenos ruídos que não conseguia evitar. Colocou com cuidado as lâminas no chão, próximo a porta e tomou o lampião e o molho de chaves, torcendo para que o leve tilintar do ferro não despertasse ninguém.

Foi colocando as chaves e tentando girar a tranca, até que uma delas respondeu: a porta abriu. Jogou as lâminas para fora e ia saindo com a fonte de luz, quando uma forte rajada de vento e chuva penetrou no alojamento, incomodando um dos soldados, que ergueu-se da cama e fitou o intruso, iluminado pelo lampião.

– Ei!? O que está fazendo? Quem é você?

Limiekki não respondeu. Sorriu e simplesmente fechou a porta e passou a chave na fechadura, deixando o dormitório trancado e às escuras.

Enquanto os soldados presos no alojamento começavam a investir aos pontapés contra a porta trancada, do lado de fora, não havia ninguém. O aventureiro então pegou as espadas e começou a jogá-las os montes de feno para escondê-las, quando um sino começou um toque rápido e desesperado. Logo depois, viu dois Zhentarim cruzarem o pátio, armas em punho, indo em seguida na sua direção. Limiekki livrou-se do lampião, jogando-o sobre o feno, provocando um princípio de incêndio, e sacou sua espada curta.

***

No momento em que o mateiro lidava com os dois oponentes, na passagem no alto da muralha, Arthos já se engajava com outro, que havia deixado a outra guarita para combatê-lo. Enquanto lutavam, Kariel materializou o seu corpo, sacou sua espada, e voltou-se para a cela aberta. Pela luz de um archote aceso, pode ver no centro do pequeno cômodo um meio elfo de constituição robusta, amarrado em uma cadeira. Seu corpo estava ferido e um hematoma provocava um inchaço que tomava seu olho esquerdo. Sangue escorria-lhe do nariz. Seu rosto, apesar de castigado pelas marcas de tortura, guardava uma clara semelhança com seu velho amigo e companheiro de aventura Faergal Rahl. Havia, enfim, encontrado quem vinham buscar. Porém também havia um Zhentarim, que vestia um uniforme diferente dos demais, indicando que talvez fosse um oficial. Quando viu Kariel surgir na porta, foi veloz para trás da cadeira e sacou uma adaga, que colocou na garganta do prisioneiro.

– Ora, ora… o agitador tem amigos! Se invadiram o forte devem gostar bastante deste elfo mestiço para vê-lo morrer em minha adaga. Sugiro que deponha sua arma imediatamente, elfo, ou eu vou abrir um sorriso vermelho no pescoço deste infeliz, retirando o resto de vida que ele ainda possui!

O rebelde, mesmo com a pressão do aço na garganta, esforçou-se para bradar um impropério.

– Não se importe comigo… depois que ele me matar, enfie uma espada no rabo dele!

– Cale-se! – disse o Zhentarim, apertando a lâmina e fazendo derramar um filete vermelho.

Kariel abaixou a espada lentamente, mas seus lábios murmuraram algumas palavras arcanas:

Tractus transire!

O mago elfo então desapareceu, deixando o inimigo surpreso por alguns segundos, pouco antes dele sentir um toque nas costas, sobre sua armadura de cota de malha e, em seguida uma poderosa descarga elétrica, que o fez cair desacordado, em um grito medonho.

– Merda…quase me ferro! Quem é você, elfo? Pode me soltar… agora que você derrubou esse filho da puta… eu vou arrancar a cabeça dele…

– Ele não irá morrer. Não agora. E pare de praguejar e xingar… garanto que não foi esta a educação que Kelta e Coral lhe deram. – reclamou Kariel, enquanto cortava as cordas que prendiam o rebelde.

– Ei… obrigado por me soltar, mas como sabe de meus pais adotivos?… e quem é você para me dar carão, seu… – O Pequeno Kelta, que nada tinha mais de pequeno, agora livre das amarras, virou-se e fitou seu salvador à luz da tocha que iluminava a cela. Franziu o rosto, procurando ver se as pancadas haviam afetado sua visão – Meu tio Kariel… não é possível… me disseram que estava morto. Que porr…

– Quieto! Se puder lutar, pegue a espada do Zhentarim – disse o mago, enquanto amarrava as mãos e os pés do inimigo desacordado – Ainda existem inimigos por aí! Depois explico-lhe tudo!

– Sim… t-tio! Posso lutar! – Kelta abaixou-se e tomou a espada bastarda do cinto do oficial caído. – E desculpe-me pelos palavrões!

Os dois saíram rapidamente do cubículo e viram a fortaleza em um início de incêndio, que consumia os estábulos. Limiekki tinha derrotado seus oponentes e corria para libertar os cavalos de suas baias, que começavam a incendiar. Foi quando a porta do alojamento, trancada por ele minutos antes, foi arrombada e dela saíram seis soldados, espadas em mãos. Kariel engendrou rapidamente uma magia: gesticulou e fez surgir, flutuando em suas mãos, uma esfera, vermelha como ferro em brasa. Deu o comando, em palavras da língua arcana:

– “Ignis Orbis”.

O globo flamejante viajou veloz para explodir no meio dos inimigos. Do fogo fatal, apenas dois se ergueram, bastante feridos, mas logo decidiram levantar as mãos ao alto, e largar suas armas ao solo em rendição. Foram conduzidos na ponta da espada pelo Pequeno Kelta à cela onde estava o comandante da guarnição e amarrados. O combate havia se encerrado.

Logo, os aventureiros se reuniram novamente. Estavam no centro do pátio, com a companhia do rebelde libertado. O Pequeno Kelta espantou-se novamente, ao reconhecer a face de Arthos.

– Tio Arthos? Não pode ser… mesmo que não tivesse morrido… não poderia estar tão jovem… faz uns trinta anos que sumiram. Isso é algum tipo de truque? Se for, me expliquem o porquê… não estou entendendo mer… quero dizer… coisa alguma.

Kariel que iniciou a explicação, com sua costumeira tranquilidade na voz.

– Fomos trazidos do passado por uma magia antiga, Pequeno Kelta, por seus companheiros e por meu filho, Zender, para ajudá-los em seus esforços contra os Zhentarim. Nossa primeira missão era libertá-lo. Você e seu companheiro Valos, que está na cela ao lado da sua, irão retornar para a Floresta do Rei e continuaremos nosso caminho.

– Eu e Valos não somos os únicos! Tenho mais seis companheiros… foram levados em uma carroça para a mansão do Lorde da cidade. Temos que ir agora libertá-los também – disse firmemente.

– Calma…você é tão impulsivo quanto seu pai de sangue! – interferiu Arthos, recordando do antigo companheiro Faergal Rahl, guerreiro da Comitiva, morto anos atrás enfrentando demônios nas profundezas do Abismo – Está péssimo, muito ferido. Precisa descansar um pouco. Temos outros membros da Comitiva nesse momento na mansão. Se seus aliados estiverem lá, eles irão encontrá-los.

O meio elfo arrefeceu e concordou, com um suspiro profundo. Apesar da fúria que nutria, a dor dos ferimentos e o cansaço, após o surto de adrenalina que corria em seu sangue diminuir, agora se faziam sentir.

– E os prisioneiros? – quis saber Limiekki – Voto por deixá-los morrer aqui em chamas, junto com esta fortaleza. É o destino que esses cães Zhentarim merecem.

– Concordo! – animou-se o Pequeno Kelta – Mas antes, quero acabar com aquele oficial!

Kariel ponderou um pouco e sugeriu, em uma reflexão.

– O Zhentarim causou mais mal a esta terra do que a nós mesmos. Vimos os templos queimados e as pessoas enforcadas. Vamos deixar as pessoas desta cidade julgá-los pelo que fizeram.  Eles decidirão sobre o destino deles.

Apesar da sede de vingança de Limiekki e do Pequeno Kelta, acabaram por concordar com o mago elfo. Então os aventureiros libertaram o prisioneiro rebelde de sua cela e encontraram uma pequena carroça de transporte de feno. Após atrelarem a ela um cavalo, colocaram os inimigos imobilizados e, junto com ela, cavalgando montarias da guarnição, atravessaram o portão, deixando para trás a fortaleza que agora ardia em um inferno de chamas, em contraste à chuva e o frio do inverno que caia sobre eles.


[1] Bane – Divindade do Assassinato, Medo, Ódio e Tirania.

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