A Mudança no Panteão de Faerûn

Por Augusto Ballalai
Imagem de Destaque, “Elysium”, por Olly Lawson

Imagine que uma pessoa está viajando por uma estrada, rumo a uma aventura, quando Mielikki surge para pedir um favor ao desconhecido. Em outro lugar do mundo, um clérigo da guerra está combatendo hordas necromânticas, quando Tempus faz jorrar energia elétrica sobre todo campo de batalha. No mar da Costa da EspadaSword Coast, um navio está prestes a ser tragado pelas ondas e um dos náufragos jura ter visto o rosto cruel de Umberlee embaixo d’água. Pode parecer que não, mas a presença divina em Faerûn já foi realmente assim.

Apesar de a magia arcana ser presente em Toril, os deuses são a quem as pessoas recorrem em momentos de desespero. A intercessão divina pode alterar por completo o destino de uma pessoa, de uma vila, cidade, região e até mesmo do multiverso. E eles respondem às preces de quem as faz!

Não existe apenas um deus. Uma pessoa não adora exclusivamente este ou aquele deus. Na verdade, os panteões existem, para as pessoas adorarem a todas as divindades. Um beato de Liira, poderia muito bem pedir a Chauntea, que abençoe as plantações de uma comunidade. Até mesmo as divindades más são respeitadas. Nada impede a um rastreador pedir a misericórdia de Malar em uma caçada na floresta.

Os deuses assumem muitos aspectos da vida comum. Tyr para a justiça, Lathander para os nascimentos, Talos para os cataclismos, Cyric para a mentira, Kelemvor para a morte, Gond para os ofícios, Helm para a defesa. A lista continua, mas já mostra como o chamado portfólio dos deuses preenchem o dia-a-dia da vida.

Estas entidades já foram realmente presentes. Em AD&D, os Deuses andavam por Faerûn, com seus avatares. Eles usavam os corpos de mortais como receptáculos de um poder incomensurável, para cumprir com seus objetivos. À medida em que o tempo foi passando, a relação dos deuses humanos com seus devotos, começou a causar problemas. Literalmente.

Com o roubo das Tábuas do DestinoTablets of Fate, em 1.358 CV, o Ano das SombrasYear of Shadows a divindade suprema, Ao, forçou todos os deuses a caminharem por Toril, em uma busca. Tendo eles no plano mortal, as magias divinas cessaram de funcionar; os deuses eram mortais.

Torm foi morto por Bane. E Bane foi morto por Torm. Bhaal e Liira foram mortos por Cyric. Tiamat foi destruída por Gilgeam. Logo após, a essência da deusa se reuniu e destruiu Gilgeam. Mystra foi destruída por Helm. Ramman foi morto por Hoar, Waukeen foi aprisionada. Zanzerena morreu para Llolth.

Nesta época três mortais ascenderam à divindade: Cyric, Meia-NoiteMidnight e Kelemvor. Os próprios deuses conseguiram burlar suas mortes, como no caso de Bane, Bhaal, Myrkul e Torm. Waukeen foi resgatada. A verdade é que os deuses parecem ter retornado, mesmo aqueles mortos há um século. As listas do Livro do JogadorPlayer’s Handbook e a do Guia do Aventureiro da Costa da EspadaSword Coast Adventurers Guide, não são definitivas.

Existem outros panteões, que não o de Faerûn. Temos o de Unther e Mulhorand. Há os deuses dos Elfos, dos Anões, dos Gnomos e também de raças inimigas, como os Drow, os Orcs e os Goblins. Todos são adorados entre os seus e, em cidades maiores, todas as raças celebram os feriados de cada divindade.

Culturalmente, as pessoas não deixaram de seguir os exemplos dos deuses, mas certamente estão em busca de respostas sobre a veracidade dos poderes dos novos clérigos que vem surgindo, sendo eles de novas ou antigas religiões. Como poderiam haver mais de uma deusa da Magia? Como poderia haver mais de um deus da morte? Qual é o deus da mentira?

Será que o pregador na praça é legítimo, ou um charlatão? Os deuses estão em uma competição velada para convencer os mortais de seu retorno, mas, como eles não caminham mais em Faerûn, está muito difícil se fixar em um portfólio tão variável.

Todas estas respostas ainda não foram respondidas e, sozinhas, já rendem muitas aventuras e explorações.


Referências

MOHAN, K. (ed.) Sword Coast Adventurer’s Guide. Wizards of the Coast, 2015.

CORDELL, B. R.; GREENWOOD, E.; SIMS, C. Forgotten Realms Campaign Guide. Wizards of the Coast, 2008.

GREENWOOD, E.; REYNOLDS, S. K.; WILLIAMS, S.; HEINSOO, R. Forgotten Realms Campaign Setting 3rd edition. Wizards of the Coast, 2001.

VÁRIOS. Time of troubles. Wikipedia. acessível em https://en.wikipedia.org/wiki/Time_of_Troubles_(Forgotten_Realms).

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