História Antiga dos Reinos, Parte I

por Brian R. James, a partir do Grand History of the Realms
traduzido e adaptado por Daniel Bartolomei Vieira
Imagem de Topo, “Os Primeiros Dias”, autor desconhecido

Dentro da vasta extensão do universo conhecido como o Mar NoturnoSea of Night encontra-se um minúsculo mundo azul conhecido como Abeir-Toril por seus habitantes. O nome, que significa “Berço da Vida” em Comum Antigo, raramente é usado na vida cotidiana. Mais simplesmente se referem à terra como Faerûn, um nome dado pelos Elfos ao maior continente do hemisfério norte de Toril.

Hoje, Faerûn é dominado por humanos e outras espécies humanoides. Entretanto, esta Era da HumanidadeAge of Humanity é razoavelmente recente, compreendendo somente os últimos três ou quatro mil anos da história de Faerûn.

Mitos da Criação

Sábios e teólogos de muitas espécies debatem os fatos envolvendo a criação de Toril. Como qualquer mito destes primeiros dias de Toril, é melhor ser cuidadoso com as informações. Naturalmente, a maioria dos mitos nasceu a partir dos eventos verdadeiros, portanto faça seu próprio julgamento se tais contos são fato, ficção ou ambos.

A Guerra da Luz e da Escuridão


A consideração mais comum sobre a pré-história de Toril tem suas raízes traçadas à antiga Netheril. Este mito popular humano reconta a épica batalha entre a Luz e a Escuridão, e começa com o Lorde Ao e a criação do cosmos conhecido.

Após um período de nada atemporal, dois seres foram formados a partir do vazio. As deusas gêmeas da escuridão e da luz, Shar e Selûne, respectivamente, logo uniram forças e formaram um mundo a partir do éter. Esta personificação material da Mãe TerraEarthmother era rochosa e estéril, mas continha grande poder.

Selûne, desejando aquecer o planeta e nutrir a vida em sua superfície, convocou o Deus AmareloYellow God em um ser. Ultrajada com a afronta de sua irmã, Shar convocou Tempestade EstelarStormstar para destruir o deus do sol e manter Toril frio para abastecer seus próprios poderes sombrios. Assim que as duas deusas e seus tenentes batalharam através do cosmos, outros poderes formados a partir do vazio ajudaram um lado ou outro. Entre os recém-chegados estavam o Deus da PodridãoRotting God, o CeifadorReaver e a Senhora da RuínaLady Doom.

O conflito chegou ao fim quando Selûne separou um pedaço da essência divina de si mesma e arremessou-a contra sua irmã sombria. Após atingir Shar, a deusa Mystryl foi formada, composta tanto de magia de luz quanto de magia negra. Mystryl forçou uma trégua desconfortável entre os poderes, permitindo que a vida florescesse rapidamente em Toril.

A Serpente do MundoWorld Serpent


Este mito da criação passou por gerações de homens lagarto e começa com um final. Diz-se na antiga tradição dos escamados que o planeta que conhecemos como Toril foi uma vez coberto inteiramente por um único e vasto oceano. Este mundo, lar de uma raça de criaturas marinhas conhecidas simplesmente como Progenitores, tinha conhecido a paz e a tranquilidade durante milênios incontáveis. Esta paz terminou com a chegada da Serpente NoturnaNight Serpent.

Erguendo-se de baixo das ondas, a besta colossal se estendeu e arrebatou o sol do céu, engolindo-o inteiro. O mundo foi mergulhado na escuridão, fazendo com que as temperaturas globais despencassem. Dentro de semanas a maior parte da vida em Toril foi extinta. Retornando para baixo das ondas, a Serpente NoturnaNight Serpent dormiu e o grande oceano congelou em torno dela.

Eras se passaram antes que a luz solar aquecesse o mundo mais uma vez. Oceanos descongelaram e então recuaram, permitindo que a terra seca subisse acima da água gelada. A vida vegetal brotou sobre a superfície do mundo, seguida em breve por primitivas criaturas reptilianas. Ouroboros, a Serpente do MundoWorld Serpent observou e ficou satisfeita. A partir de sua própria carne, Ouroboros criou os primeiros Sarrukh e os lançou sobre a terra. Em troca por sua adoração, a Serpente do Mundo prometeu ensiná-los os segredos da magia, da civilização e do poder.

Para celebrar o fato, a Serpente do MundoWorld Serpent arrebatou um cometa do Mar NoturnoSea of Night forçando-o em uma órbita atrás da lua existente. Ele, então, imbuiu as duas luas com uma porção de seu poder divino e nomeando-as Ssharstrune e Zotha. Ao cometa Zotha ele confiou a segurança de seus Sarrukh escolhidos. Enquanto Zotha observasse o mundo abaixo, o Sarrukh prosperariam e dominariam o planeta. A Ssharstrune ele encarregou o dom da luz e da sombra; o poder sobre a magia arcana.

Tudo correu bem durante um tempo. Assim que souberam que podiam, os Sarrukh floresceram e espalharam seu domínio por toda a terra. Mas Ouroboros não sabia da existência da Serpente NoturnaNight Serpent que ainda adormecia sob o mundo. Nem poderia a Serpente do MundoWorld Serpent saber que os descendentes dos Progenitores estavam desovando sob as ondas e passando por metamorfoses para caminhar sobre a terra.

Isto é Cânone?

A resposta curta é não. Ao contrário do resto da grande história que é 100% cânone, o capítulo História Antiga foi composta como uma história verdadeiramente possível sobre o passado de Faerûn. Muitos dos detalhes foram inspirados por verdadeiros conhecimentos canônicos espalhados ao longo de um punhado de suplementos, notavelmente Lost Empires of Faerûn e da segunda edição de Giantcraft e Draconomicon.

Atlas do Mundo Antigo

Introdução


Mais de dez mil anos de sobrevivência e expansão são cobertos por esta antiga história da civilização em Abeir-Toril. Quatro grandes temas dominam este capítulo inicial da história de Toril: os impérios das raças criadoras, a propagação da humanidade, o domínio das raças dracônicas e a chegada dos elfos.

Esta história começa e termina com uma grande Era do GeloIce Age, cerca de 37.000 anos atrás. Quando as últimas glaciações terminaram, o grande oceano recuou para revelar terra seca. Neste tempo antigo antes d’A SeparaçãoThe Sundering, as terras que um dia seriam identificadas como Faerûn, Kara-Tur, Maztica e Zakhara eram, juntas, uma parte de um super continente muito maior chamado Merrouroboros.

Este primeiro milênio viu a vida se espalhar rapidamente por toda a floresta tropical de Merrouroboros. Répteis não inteligentes conhecidos como TrovejantesThunderers governavam a terra, o mar e o céu. No final do primeiro milênio pós Era do GeloIce Age, grupos primitivos de homens lagarto caçadores-coletores viveram ao longo das águas férteis d’O Água DouradaThe Goldenwater onde hoje ficar Durpar, caçando gamos, peixes de lago e plantas silvestres de todos os tipos. Ao contrário dos TrovejantesThunderers, os sauróides possuíam intelecto superior e sentido tático. Com o tempo eles se tornaram conhecidos como os Sarrukh, os primeiro das poderosas raças criadoras.

-35.000 CV


Os Dias de TrovãoDays of Thunder

Mapa Days Of Thunder - de Adam Gillespie
O mapa de Faerûn na época dos Dias de Trovão. Por Adam Gillespie.

A introdução de bovinos, ovinos e caprinos revolucionou a agricultura na região de Durpar. Pastores eram semi nômades, conduzindo seus animais entre pastagens sazonais. Por volta de -35.000 CV, a desertificação de Durpar começou, talvez em parte, por causa do pastoreio em excesso. A resposta dos pastores foi migrar para noroeste d’O Água DouradaThe Goldenwater para uma região de savanas semiáridas que chamaram de Okoth.

Em Okoth os Sarrukh fundaram seus primeiros assentamentos permanentes. As primeiras aldeias Sarrukh eram dominadas por complexos de templos dedicados à adoração da Serpente do MundoWorld Serpent. A maioria dos assentamentos Sarrukh deste período tinha uma população entre duas e oito mil habitantes, embora a própria Daar Mundigak, a maior cidade de Okoth, tivesse mais de dez mil habitantes. Por volta de -34.200 CV esse número havia subido para cerca de cinquenta mil.

A escrita foi inventada como um auxílio à administração em comunidades que cresceram tão complexas que a memória dos Sarrukh não conseguia mais armazenar todas as informações necessárias para um governo eficiente. Os primeiros sinais dos Sarrukh foram pictogramas inscritos em tábuas de barro que eram secas em seguida. Os sistemas de escrita dos Sarrukh foram amplamente adotados por seus escravos.

-34.200 CV


Assim que sua população cresceu, os Sarrukh superaram o limite de recursos sustentáveis locais. O Império SarrukhSarrukh Empire logo expandiu-se para o norte e oeste.

O Império MhairshaulkMhairshaulk Empire surgiu em -34.800 CV ao longo das margens sul do Mar NegroBlack Sea, e o Império IsstosseffifilIsstosseffifil Empire em seguida, em -34.500 CV, baseado nas margens leste do antigo Mar EstreitoNarrow Sea no norte. As ligações comerciais entre Okoth, Isstosseffifil e Mhairshaulk desempenharam um papel importante na disseminação da influência da civilização dos Sarrukh em toda a Merrouroboros.

Ao descobrir outras raças progenitoras, os Sarrukh rapidamente perceberam que tais criaturas poderiam ser servos passivos e os escravizaram. Nos primeiros dias da expansão Sarrukh, os DescamadosScaleness Ones nem sequer eram vistos como sacrifícios dignos para a Serpente do MundoWorld Serpent. Este status inferior significava que eles poderiam ser mortos com impunidade e comidos por seus mestres. Ao redor de -34.400 CV os impérios sarrukh mudaram diretamente da Idade da PedraStone Age para a Idade do FerroIron Age. Equipados com armas de aço e armaduras, os Sarrukh facilmente derrotavam qualquer resistência oferecida pelos selvagens DescamadosScaleness Ones que encontravam.

A civilização sarrukh entrou em uma nova fase conturbada em cerca de -34.200 CV. Os Sarrukh haviam conquistado tantas raças que se tornaram a minoria em seu próprio império. Um século de conflitos civiis levaram os Sarrukh de Okoth  para as planícies, o que derrubou seu império em -34.100 CV. Isstosseffifil caiu logo após, em -33.800 CV, após uma guerra com os Phaerimm deixar sua ecologia irremediavelmente danificada. Mhairshaulk foi o último a cair em -33.500 CV, suas terras cedidas ao controle dos Yuan-ti.

-33.500 CV


Hoje, muitos sábios supõem que a humanidade apareceu primeiramente nas savanas do norte de Katashaka ao redor de -34.000 CV antes de migrar para fora para povoar o restante do mundo. Nas terras ao sul de Mhairshaulk, tribos humanas dependiam da pesca, da caça e do pastoreio para o seu sustento. As tribos de Lopango, no entanto, utilizaram técnicas de irrigação que lhes permitiam fazer uso da culturas pastoris.

Infelizmente, a proximidade das tribos humanas primitivas de Mhairshaulk provou-se desastrosa. Os grupos de invasão sarrukh patrulhavam rotineiramente as terras Thinguth, retornando a Mhairshaulk com os Humanos para servirem de comida ou de escravos. Alguns sofreram experiências nas mãos de seus captores Sarrukh. Deturpados e aumentados pela magia sarrukh, estes indivíduos infelizes, com o tempo, se tornariam conhecidos como Vrael olo, os Yuan-ti.

Também no final do terceiro milênio, as primeiras comunidades dos Batrachi nascidos mar começaram a florescer nas suaves correntes setentrionais do Mar NegroBlack Sea, conhecidas como Crescente FértilFertile Crescent. O suprimento de mexilhões e outros mariscos era tão rico, que em algumas áreas a população de caçadores-coletores pode se estabelecer em aldeias semi permanentes. Durante este tempo, muitos Batrachi começaram a sofrer metamorfoses para caminhar sobre a terra.

-31.500 CV


Em Maztica, as aldeias agrícolas permanentes de Payit apareceram entre as férteis planícies setentrionais ao longo do Estreito de LopangoStrait of Lopango. Tribos humanas de Katashaka começaram a desenvolver uma escrita em hieróglifos a partir do qual as posteriores escritas de Maztica e Chult derivam. Os Batrachi baseados em terra adotam um estilo de escrita cuneiforme adotada a partir de pictogramas Sarrukh.

Sob a sábia liderança de Zhoukoudien, o poder dos Batrachi atingiu seu ápice. Zhoukoudien manteve Mhairshaulk em xeque e expandiu os domínios Batrachi com campanhas contra os Gigantes de Ostoria. Entretanto, a última campanha de Zhoukoudien terminou em derrota quando ele foi morto em batalha pelo lorde titã Omo. Ao contrário dos Sarrukh antes deles, os Batrachi continuaram a usar o bronze como o principal metal para ferramentas e armas ao longo de boa parte de seu reinado.

Em -31.500 CV, Ostoria tomou a ofensiva e, apoiada pelos titãs de Lanaxis, confiscaram as terras férteis entre os Mares InternosInner Seas. Os Batrachi lutaram contra o jotunbrud durante séculos, nenhum dos lados ganhou vantagem. O conflito chegou a um fim abrupto quando a lua de gelo Zotha caiu do céu devastando grande parte das terras centrais de Merrouroboros. Um grande fragmento da lua esculpiu um desfiladeiro tão profundo entre os quatro Mares InternosInner Seas, que eles fundiram-se para formar o Mar das Estrelas CadentesSea of Fallen Stars.

Candlekeep Compendium (ou Compêndio do Forte da Vela)

Para mais conhecimento sobre os batrachi, consulte Mysteries of the Creator Races: The Batrachi (ou Mistérios das Raças Criadoras: Os Batrachi), por Gray Richardson, no Candlekeep Compedium III (ou Compêndio do Forte da Vela III).

1 comentário Adicione o seu

  1. Antônio disse:

    Perfeito!! A época dos Dias do Trovão havia me chamado muita atenção por conta das raças progenitoras. Tinha bastante curiosidade.

    Curtido por 1 pessoa

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